PENTECOSTES
Nesta celebração de Pentecostes recordaremos muitos sábios ensinamentos sobre o Espírito Santo, seus dons e os frutos da sua presença em cada um de nós, nas nossas igrejas e comunidades e no mundo. ‘O Espírito sopra onde quer…’. Que alegria!
Hoje, eu quero ‘fazer memória’ de uma frase recolhida por Lucas no livro conhecido com o título de ‘Atos dos apóstolos’. No versículo 1,8, Lucas refere uma ‘promessa’ de Jesus: “Recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vocês e sereis minhas testemunhas… até os confins do mundo”.
Contemplamos essa ‘promessa’. Jesus está falando do Reino de Deus e faz essa “promessa” para o futuro. Os Atos nos contam que isso aconteceu logo e em muitos lugares: Jerusalém, Éfeso, Samaria, na família de Cornélio… Contemplamos o que promete: ‘sereis minhas testemunhas’. E Lucas nos informa como os apóstolos e os outros discípulos e discípulas viveram com essa ‘força’. Percebemos que fala em plural e que os discípulos e discípulas fizeram essa missão criando comunidades de vida. E que essas comunidades se espalharam por todo o Império. E que nasceram, às vezes, antes da presença dos apóstolos. Assim, Antioquia, Damasco, Samaria, Chipre…
É muito interessante perceber qual foi o tipo de ‘testemunho de Jesus’ que os primeiros cristãos deram. Não foram doutrinas, nem ensinamentos catequéticos, nem normas morais, mas a sua maneira de viver, em comunidade, a fé em Jesus Ressuscitado, o Cristo Crucificado.
Naqueles momentos históricos o ‘fermento’ que reinava era o ‘fermento de Herodes e dos fariseus’: a força física e militar, a escravidão, o racismo e tantos outros ‘ismos’; a crueldade sem nenhuma misericórdia por parte do poder romano; e o ‘exclusivismo do mundo religioso’, firme nas suas seguranças e convicções. Até o ponto de perseguir e matar os ‘inimigos de Deus’, como pensava Saulo.
Que significa isso para nós hoje? A proposta do Papa Francisco reflete quase literalmente a ‘promessa’ de Jesus. Ele propõe que a os cristãos sejamos ‘uma igreja em saída’, que não busque suas múltiplas ‘seguranças’ e suas ‘convicções’, para colocar-se ao serviço dos pequenos e indefesos; que ‘saia’ de si mesma e vá às periferias das pessoas e as integre na comunidade de amor e serviço.
Pe. José Cobo
Vigário da Paróquia São Francisco de Assis, Jaciara – MT.