Coletiva de imprensa apresentou prioridades do encontro, que reúne o episcopado brasileiro em Aparecida até o dia 24 de abril.

A primeira coletiva de imprensa da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aconteceu na manhã desta terça-feira, 15 de abril, no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. O encontro reuniu lideranças da Igreja para apresentar os principais temas em debate e o espírito que orienta os trabalhos deste ano.
Participaram da coletiva o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; o secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), dom Lizardo Herrera; e o bispo emérito de Livramento de Nossa Senhora (BA), dom Armando Bucciol, que também atua como diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma.
Logo na abertura, dom Jaime destacou a relevância da comunicação para a missão da Igreja, especialmente em tempos marcados pela desinformação. Segundo ele, o compromisso com a verdade deve orientar tanto a atuação eclesial quanto o trabalho da imprensa. O arcebispo também ressaltou a importância do reencontro presencial dos bispos, após interrupções anteriores, apontando um clima de entusiasmo diante da pauta extensa a ser discutida.
Entre os principais temas da assembleia está a análise e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Tradicionalmente revisadas a cada quatro anos, as diretrizes poderão ter seu período de vigência ampliado, considerando o tempo necessário para sua implementação nas comunidades e a sintonia com o processo do Sínodo sobre a Sinodalidade, que propõe mudanças progressivas na vida da Igreja.
Durante sua fala, dom Jaime também recordou o legado do Papa Francisco, enfatizando a dimensão da alegria e da esperança como marcas fundamentais da vivência cristã. Ele alertou ainda para os desafios do cenário internacional, como os conflitos no Oriente Médio, e destacou a urgência da reconciliação e da superação da violência.
No contexto brasileiro, o presidente da CNBB chamou atenção para as desigualdades sociais e reforçou a importância da política como instrumento de promoção do bem comum. Segundo ele, o país necessita de uma verdadeira conversão social, capaz de gerar mais justiça e equidade.
Outro ponto ressaltado foi a ampla participação das comunidades na construção das novas diretrizes. O processo incluiu escutas em diferentes níveis, envolvendo não apenas lideranças, mas também fiéis e pessoas sem vínculo direto com estruturas eclesiais, refletindo o caminho sinodal que valoriza a participação e o discernimento coletivo.
Dom Lizardo Herrera destacou a necessidade de unidade entre os episcopados da América Latina e do Caribe diante de desafios comuns, como migração, violência, desigualdade e polarização. Ele afirmou que o CELAM acompanha de perto o processo sinodal e busca fortalecer a comunhão entre as Igrejas locais.
O bispo também enfatizou a importância da formação das novas gerações, especialmente na Doutrina Social da Igreja, como forma de promover uma atuação política mais ética e voltada ao bem comum. Segundo ele, é fundamental preparar lideranças comprometidas com a justiça social e com o cuidado dos mais vulneráveis.
Encerrando as participações, dom Armando Bucciol apresentou a proposta espiritual que orientará o retiro dos bispos durante a assembleia. Ele destacou temas como serviço, zelo pastoral e coragem evangélica, lembrando que, na perspectiva cristã, a autoridade deve sempre ser exercida como serviço ao próximo.
Dirigindo-se aos jornalistas, dom Armando reforçou o papel da comunicação na formação de uma consciência crítica na sociedade, alertando para os riscos da manipulação da informação e incentivando um jornalismo comprometido com a verdade.
A 62ª Assembleia Geral da CNBB segue até o dia 24 de abril, reunindo bispos de todo o país em um momento de reflexão, escuta e definição de caminhos para a ação evangelizadora no Brasil.
Com informações da Comunicação da CNBB