Representantes de diversas pastorais da Igreja, movimentos sociais e organizações civis se reuniram na manhã do sábado, 07/09, no auditório do Centro Pastoral (Cepa) da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, para a 30ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas. Com o tema “Vida em primeiro lugar”, o encontro, esse ano no formato de apresentação de painéis e roda de conversa, apresentou os diversos gritos e resistências setoriais do prisma do lema: ”Todas as formas e vida importam, mas quem se importa”.

Na abertura, o bispo diocesano, Dom Maurício Jardim exortou os presentes a sonharem e trabalharem por um mundo de justiça, paz e fraternidade, mesmo que em meio a tantas dores e sofrimentos. E reforçou a importância de cada um no seu horizonte o sonho do Reino de Deus já iniciado e pregado por Jesus Cristo. “Não tenhamos medo de vivermos a proposta do Evangelho de anunciar que o reino de amor e paz, sem ódio e violência. O Reino de Deus, é como o grão de mostarda, conforme o texto bíblico, ainda que seja a menor das sementes, plantada, germina e cresce, tornando-se maior que todas as hortaliças, estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra”, ilustrou.

MST E MULHERES – No painel inicial, o Movimento dos Trabalhares sem Terra (MST) lembrou do seu ponto de vista próprio, os resultados do conflito entre Israel e a Palestina. E encenando poesia de Pedro Casaldáliga, reiterou o histórico grito da Reforma Agrária e outras injustiças, desigualdades e ódios, propondo “um grito de esperança”. O grupo também distribuiu sementes variadas aos participantes do evento.
Na sequência, a Pastoral da Mulher Marginada apresentou um breve painel sobre as iniciativas colocadas em prática e o emocionante testemunho de uma, atual voluntária da pastoral, resgatada da condição de prostituição em 2005. Bem como o caso de uma jovem, hoje residente no Nordeste, igualmente retirada da condição de exploração e que, este ano, conclui a graduação em Nutrição.
PEQUENAS CONQUISTAS – No terceiro painel, representantes do Movimento Negro e Pastoral Afro apresentaram um grito sobre a discriminação racial e cultural presente ainda hoje em nossas comunidades. O grupo propôs uma liturgia mais inculturada e próxima da vida do povo. Segundo eles, o movimento iniciado na Diocese com o apoio do padre Franz e irmã Isabel, aos poucos, “foi sendo abafado”; e denunciaram inclusive “falas discriminatórias”, acerca das celebrações inculturadas dentro da Igreja.
Um dos membros reforçou a importância do ensinamento de Nelson Mandela de que, na ausência de grandes conquistas, se aprenda e cresça com os pequenos avanços, até como forma de inibir o desânimo.
SINDICATO DAS ÁGUAS – O representante do Sindicato dos Bancários fez o quarto painel, após a parada para o lanche, enfocando a preocupação com o meio ambiente, “em especial com a água” e apresentou um resumo das tratativas sobre a preservação das fontes e da qualidade da água disponível na região. Incluindo a proposta de utilização de recursos públicos do Sanear para a preservação do Rio Arareau, com nascente e foz em Rondonópolis.
As irmãs da Família Missionárias da Redenção, vindas do Burundi, na África, fizeram um breve painel sobre suas experiências no Brasil, e relataram a importância de confiar e trabalhar sem medo pela “expressividade da pessoa negra na Igreja”.

Os representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) também apresentaram um relato dos esforços (sobretudo na busca de recursos) para a preservação das nascentes; bem como um balanço positivo das ações bem-sucedidas, com um expressivo número de nascentes já preservadas.
A religiosa Irmã Anita falou, na sequência dos painéis, sobre o histórico grito da violência. Segundo ela, não apenas do ser humano para os demais seres vivos, mas entre os seres humanos. “As pessoas estão se agredindo e se matando por qualquer coisa”, disse; em seguida convidando os presentes e suas entidades para uma “Caminhada Ecumênica pela Paz”, marcada para 26 de outubro do corrente ano, um sábado, entre as praças Brasil e dos Carreiros, no centro da cidade. Percurso que, conforme a Irmã Anita, será acompanhado de orações, cantos e meditações sobre a contribuição que cada pessoa pode dar em favor da paz.
SISTEMA – Juvenal Paiva da Silva, lembrou que o Grito é sempre “contra o sistema” e não contra essa ou aquela pessoa que está na sua liderança. E os temas adotado nos 30 anos da iniciativa indicam para isso, segundo Juvenal.
Dom Maurício Jardim finalizou o encontro lembrando do Jubileu da Encarnação do Filho de Deus que veio habitar no meio de nós. O Jubileu convocado pelo Papa Francisco nos exorta a sermos peregrinos da esperança. O próprio bispo conduziu o momento de oração de encerramento, convidando a todos e todas a rezar a oração do Pai Nosso, enfatizando o pedido: “Venha a nós o Vosso Reino” e ministrou a benção final aos presentes.