Um convite ao ministério espelhado em Jesus Cristo, como profeta, sacerdote e pastor, ensinando, pastoreando e santificando o povo de Deus, foi o centro da homilia da Missa de Ordenação Presbiteral do diácono Rafael da Silva Souza, o mais novo padre da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, celebrada na última sexta-feira (16-05) pelo bispo diocesano Dom Mauricio da Silva Jardim, na Igreja matriz São Jose Operário.
Com o lema de ordenação “Alegrai-vos sempre no Senhor”, de Filipenses 4,4a, Padre Rafael é o sétimo presbítero, “filho” da Paróquia São José, além de três religiosas e quatro seminaristas. “Creio que todas estas vocações se devam ao testemunho vocacional de padres e irmãs que aqui atuaram, a oração permanente pelas vocações e o trabalho da equipe vocacional”, comentou o bispo.

ALEGRIA DE SER ESCOLHIDO – Dom Maurício exortou o novo padre a viver seu sacerdócio mergulhado, não em uma “alegria passageira que vem de conquistas materiais e humanas”, como por exemplo a conquista dos diplomas de filosofia e teologia, mas na alegria do Senhor, “que tomou a iniciativa gratuita e te escolheu para o ministério ordenado” (João 15,16). Ele reiterou que a vocação é sempre um dom gratuito, de iniciativa divina. “Deus nos amou primeiro e quando nos descobrimos amados por Deus, respondemos amando a Deus e todas as pessoas, sem fazer distinção. Não vejo outra explicação diante do chamado misterioso de Deus, a não ser a causa do amor”, ensinou o pastor diocesano, acrescentando que essa resposta deve ser um sim cotidiano e definitivo. “Leve esta convicção para tua vida de padre. Nas horas desafiadoras precisamos sempre voltar ao primeiro amor. Deixar-se amar por Deus no cotidiano. Sem esta convicção, iremos procurar outros amores ou vivermos escravos de nós mesmos e de nossas paixões”, alertou.
Dom Maurício lembrou ainda que o amor cristão não se reduz a sentimentos ou palavras, mas é, sobretudo o amor dos gestos de serviço que Jesus nos ensinou no lava pés. “Que se expressa na cruz, na doação, na entrega, no serviço, sempre na totalidade, ou seja, não é amar apenas algumas horas do dia, nas horas de atendimento ou de celebração da missa. O amor que não se reduz a fazer coisas, mas é expressão de nosso ser”, resumiu.
ESVAZIAR-SE E GASTAR-SE – O bispo lembrou também ao novo padre, ensinamento do Papa Leão XIV, na primeira homilia da missa concelebrada pelos cardeais, sobre o “compromisso irrenunciável” de quem exerce “alguma autoridade” na Igreja: “Desaparecer para que Cristo permaneça, diminuir para que Ele seja conhecido e glorificado e gastar-se até o fim para que ninguém deixe de ter a oportunidade de conhecê-lo e amá-lo”.
Viver o ministério ordenado “é desafiante” segundo Dom Maurício, porque coloca os ministros no contato cotidiano com o sofrimento humano (nas doenças físicas e psíquicas, o drama da morte, as crises nas famílias e a perda de sentido da vida). Em meio as fragilidades e feridas de um mundo dividido e marcado por guerras, segundo ele, o “anúncio de esperança e alegria no Senhor é necessário e indispensável”. E para ser um “peregrino da esperança”, é necessário continuar “bebendo na fonte da espiritualidade do seguimento a Jesus Cristo”, e “isto exige despojamento, esvaziamento, renuncia da própria vontade e desapego total. O doar-se não é um caminho fácil, mas é antes de tudo um caminho de salvação que produz em nós a alegria do Evangelho”, ensinou.

IDENTIDADE E UNIDADE – Dom Maurício recordou ao então Diácono, que a identidade de pastor somente se configura a Jesus, na vida em comunidade, na proximidade com Deus através da oração diária e no serviço ao rebanho confiado, sendo próximo e acolhendo, sem excluir ninguém. Especialmente aqueles “que não podem te dar recompensa material”, entre os quais os sofredores, pecadores, doentes do corpo e da alma, os encarcerados e os excluídos. “Junto com o tempo dedicado a contemplação e adoração, todas estas realidades humanas de periferia nos ajudam a formar o coração de pastores”, concluiu.
Outra dimensão essencial para a formação do bom pastor, configurado a Cristo, segundo o bispo, é nunca se sentir sozinho, mas caminhar “junto com a família presbiteral” e se colocar em formação permanente. “Não ficamos prontos com a imposição das mãos do bispo. Ou nos colocamos em num caminho de formação permanente, ou nos frustramos e desanimamos. Por isso, não te isoles ou te afastes da vida fraterna com os padres. Conte também comigo. Não deixe o desânimo e a tristeza entrar em teu coração. Siga sempre com alegria o caminho do serviço e entrega total”, ensinou Dom Maurício.
PROFETA, SACERDOTE E PASTOR – Somente uma caminhada dentro dos cuidados e prioridades elencadas, completou o bispo diocesano, permitirá ao novo presbítero exerce as funções essenciais da vida consagrada – de profeta, sacerdote e pastor.
Primeiro, “procuras crer no que leres, ensinar o que creres e praticar o que ensinares. Anuncia com fé e coragem o Evangelho em sua totalidade. Percebo que já és um amante da Palavra de Deus. Continues cultivando o estudo e a escuta assídua da Palavra de Deus”.
Segundo, orientou Dom Maurício, exercer a função sacerdotal na perspectiva da nova aliança inaugurado por Cristo Jesus. “Ele fez de sua vida uma oferta agradável a Deus. Uma entrega total. Ele nos ensina que o sacerdócio é serviço. Estar sempre pronto para lavar os pés, perdoar, amar e servir. Tens a missão de santificar o Povo fiel de Deus”, lembrou.
Além da alegria de acolher na comunidade os iniciados na vida cristã “pelo Batismo, Eucaristia e Crisma”, lembrou Dom Maurício, o novo padre deve dedicar tempo ao “sacramento da reconciliação”, o conforto aos doentes, “com a sagrada unção”, a celebração diária da Eucaristia e a oferta de “louvores a Deus através das diversas horas do dia”.
E terceiro, ensinou o bispo, participar da missão de Cristo Pastor, reunindo os fiéis numa só família em espírito de comunhão e sinodalidade. “Estejas sempre em comunhão com o Papa, sucessor do Apóstolo Pedro, hoje Leão XIV, a conferência episcopal, o bispo, o presbitério. Sejas um promotor de comunhão, diante da diversidade de carismas e ministérios”, como ensinou São Paulo: “Como, num só corpo temos muitos membros, cada qual com uma função diferente, assim nós, embora muitos, somos em Cristo um só corpo e todos membros uns dos outros” (Romanos 12,4-5).

UM PADRE FELIZ – Dom Maurício lembrou ainda que “a alegria na vida de um padre não pode faltar” e que “o povo merece um padre feliz e realizado”. Também que é nesta mesma confiança e entrega que o padre deve seguir “vigilante, com confiança e esperança” para enfrentar as “noites escuras”, que aparecerem – estando sempre preparado, como orientou Jesus aos seus discípulos em Lucas 12, 34-35: “Que vossos rins estejam cingidos, e as lâmpadas acesas. Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar”, citou.

Dom Maurício finalizou, pedindo que a comunidade dos cristãos leigos e leigas se mantenham rezando “por nós ministros ordenados, consagrados e consagradas. Sigamos com confiança e esperança neste tempo de graças jubilares. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo”.