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Amar, Essa é a Nossa Missão

Amar, Essa é a Nossa Missão

SEXTO DOMINGO PASCAL 

 

Caros irmãos e irmãs, nós estamos vivenciando o tempo pascal, mais precisamente estamos no 6 Domingo da Páscoa e somos agraciados pela Liturgia da Igreja com as palavras do Evangelho escrito por São João, em seu capítulo 15, versículos de 9-17. João, o discípulo amado, é uma testemunha ocular dos ensinamentos de Jesus e, portanto, a ordem de Jesus “Isto é que vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (Jo 15,17), deve ser compreendida na sua literalidade. Amar, esse é o mandamento do Senhor.

Mas de que amor Jesus fala? Será que quando o Mestre nos pede “Permanecei no meu amor” (Jo 15,9), Ele se refere ao mesmo amor que Vinicius de Moraes cantou no seu Soneto de Fidelidade ou se refere a qualquer conotação, que nos dias atuais, o termo amor recebe? Certamente que não! O Amor a que Jesus nos ordena a amar uns aos outros é o amor que tem sua fonte na relação entre o Pai e o Filho e é despejado de forma abundante na relação que o Filho tem conosco, pois “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo 15, 13). Assim, a palavra amor encontra seu alcance máximo no ato de dar a vida por alguém e não em qualquer outro sentido. Talvez por isso quando nos deparamos com mulheres que chamamos de mães e que por sua abnegação em favor de seus filhos são capazes de todos os dias doar a sua vida por estes filhos, abrindo mão de seus sonhos para sonhar os sonhos desses filhos, encontrando sua felicidade na felicidade desses mesmos filhos, nós sentimos algo bom em nosso interior. O amor que a mãe transmite ao filho muda para melhor o interior do filho e este nem sempre é capaz de perceber o processo, mas sente os efeitos de ser amado.

De maneira infinitamente maior, o amor de Deus que foi derramado em nossos corações (Rm 5,5), transforma o coração de cada homem e mulher que se deixa transformar e nos faz felizes. Parece até contraditório que somente por meio da cruz de Cristo, expressão máxima do amor de Deus por nós, se possa alcançar a alegria verdadeira, mas não é. Aqui entra um outro elemento fundamental para compreendermos o significado do amor: a eternidade. Quando Jesus se entrega por nós na cruz Ele assim o faz por desejar cumprir a vontade de Deus de que todos sejam salvos, de que todos alcancemos a salvação, a vida eterna. Assim, amar alguém é desejar tanto a vida eterna para essa pessoa que se seja capaz de morrer por ela, morrer para que ela tenha vida e vida em abundância. Assim fez Jesus, deu sua vida para nos salvar, para que tenhamos vida.

Talvez, por conta de nossas limitações, não sejamos capazes de entregar a nossa vida em resgate de algum irmão, contudo ofertar uma parcela de nossa vida a alguém é sempre algo possível. Ofertar um sorriso, distribuir atenção, ser verdadeiro, fomentar os valores cristãos, ser atencioso e gentil no trato com as pessoas, são pequenas coisas, pequenas doações de vida que fazem diferença na vida dos irmãos. Aliás, um ensinamento atribuído a Santo Antônio, enfatiza justamente isso: “quem não pode fazer grande coisa, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças”. Certamente amar, mas amar na medida de nossas forças. Certamente doar a nossa vida, mas doar na medida de nossas forças, afinal o importante não é andar rápido, mas ir na direção correta, saber para onde se quer ir e por qual caminho se quer ir, ainda que de forma lenta. O destino é o céu. O nosso caminho é Jesus e a forma de nunca sairmos desse caminho é realizando a sua ordem: Amai-vos uns aos outros. Não como o mundo ensina, mas como Ele ensinou. Não de forma egoísta, pensando no que eu vou receber em troca disso, mas de forma gratuita e auto transcendente, querendo mais a alegria do outro que a minha, num verdadeiro sacrifício de doação. Quem não se esforça por amar, nunca amará ninguém. Viverá na ilusão de que ama, quando na verdade somente usufrui do que o outro pode lhe dar, aprecia a utilidade do outro, mas isso ainda não é amor. Amar é sair de sí, é doação, é entregar-se para que outro viva, é se esforçar por ser como São Francisco de Assis rezou: “consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando, que se recebe. Perdoando, que se é perdoado e é morrendo, que se vive para a vida eterna!”. Amar, essa é a nossa missão.

 

 Padre Marcelo Vinicius de Oliveira

Paróquia São Sebastião em Alto Garças-MT

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