Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Rondonópolis no último dia 9 de fevereiro, para debater sobre Direitos Humanos no município e escutar a sociedade para construção coletiva de soluções sobre os diversos problemas ligados ao tema, foi apresentada a Associação de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, que tem como meta ampliar o diálogo entre o poder público e entidades da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana.
Com o plenário da Camara lotado, diversas instituições, movimentos populares e grupos que lutam pelo reconhecimento dos seus direitos manifestaram suas demandas e desafios de estarmos vivendo um tempo tão marcado pela negação do acesso a esses direitos e invisibilização de pessoas que sofrem a privação destes direitos fundamentais. Na ocasião foram homenageadas algumas pessoas que atuaram no município em defesa dos direitos humanos: Pe. Gunther Landrenbalt, Pe. Jose Cobo Fernandez, Prof. Ivanildo José Ferreira e Baltazar Ferreira, juntamente com as irmãs Catequistas Francicanas, Anita David e Isabel Pereira da Silva. Todas elas ligadas a pastorais e serviços da Diocese de Rondonópolis, que na década de 1980 criou e manteve funcionando em suas dependências o Centro de Defesa de Direitos Humanos Simão Bororo, nome que fazia referencia so indígena assassinato juntamente com Padre Rodolfo Lunkenbein e em 15 de julho de 1976 na Missão Salesiana de Meruri, em Barra do Garças-MT.

Pe. Gunther, recordou o trabalho e os desafios enfrentados pela igreja e sobretudo por aqueles que lutavam pelos direitos humanos naquele período, inclusive que eles atuavam sobre a mira do Sistema nacional de Inteligência, comandado pelos militares. Destacou que as questões ligadas a concentração fundiária e má distribuição da terra gerava enormes conflitos. Neste contexto foram realizadas caminhadas de luta pela terra que foram feitas a pé, de Jaciara ate Cuiabá. Outro desafio eram as arbitrariedades e violências que corriam no presidio. “Lá tambem estão os filhos de Deus”. Recordou o apoio de Dr. Ari e Dra. Angela advogados que atuaram com muita dedicação nesta causa. Ir. Isabel, irmã catequista que há mais de 40 anos se dedica ao cuidado dos pobres nas periferias, recordou que tudo o que foi feito foi trabalho de muitas mãos; “Nada foi feito por nós somente, muitas mãos somaram nesta desafiante tarefa”.
Embora já se passaram mais de 40 anos desde a criação do Centro de Direitos Humanos da Diocese de Rondonópolis, muitos desafios ainda persistem sobre este tema vital. A Igreja Católica defende os direitos humanos fundamentando-os na dignidade inalienável de toda pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus, reconhecendo a Declaração Universal de 1948. A Doutrina Social da Igreja considera esses direitos universais, invioláveis e inalienáveis, essenciais para a justiça social e a proteção da vida e da pessoa humana.
Vivendo em um período no qual tantos direitos da pessoa humana são negados, papa Francisco nos recordou que “nada do que é humano, pode ser indiferente aos cristãos” e que é missão da igreja o trabalho pela justiça social, sem ela não há paz recordava o pontífice.
Ao final da audiência, um grupo grande de mulheres de pessoas privadas de liberdade expressaram suas angustias e problemas ligados a situação dos presídios em Rondonópolis pedindo que tanto a Camara Municipal como a Associação recém instalada, e as autoridades presentes as ajudassem nas demandas por elas apresentadas.
A audiência publica foi promovida a pedido dos vereadores Wendel Girotto e Junior Mendonça. O Conselho Diocesano de leigos, a Pastoral do Povo da rua, a coordenação das Cebs, Frei Silvio marcaram presença representando a diocese.
Por – Prof. Dr. Adilson Jose Francisco